Aleitamento materno reduz em 13% mortalidade por causas evitáveis

Fonte:Joanice de Deus/Diário de Cuiabá

Em Mato Grosso, existem dois postos de coleta e três bancos de leite humano

O aleitamento materno é a melhor fonte de nutrição infantil, sendo capaz de reduzir em 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos. Protege a criança de doenças como diarreia, infecções respiratórias e alergias. Além disso, reduz o risco de a criança desenvolver hipertensão, colesterol alto, diabetes, sobrepeso e obesidade na vida adulta. Por isso, especialistas recomendam que as crianças sejam amamentadas até os dois anos ou mais e de forma exclusiva até o 6º mês de vida.

Em Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Saúde (Ses) disponibiliza uma série de ações para a promoção do aleitamento materno voltadas aos 141 municípios. As atividades estão inseridas na denominada “Agenda única do agosto dourado 2019”. Criada em 1992, a Semana Mundial da Amamentação (SMAM) é celebrada entre os dias 1º a 7 de agosto. No Brasil, por meio da Lei 13.435/2017, foi instituído o mês do Aleitamento Materno, sendo denominado “Agosto dourado”, em referência ao leite materno, que é considerado padrão ouro para a alimentação da criança menor de dois anos.

Neste mês, as ações de promoção do aleitamento materno são intensificadas em todo o país. Uma dessas atividades foi realizada pelo Banco de Leite Humano (BLH) do Hospital Universitário Júlio Muller (HUJM), em Cuiabá, onde ocorreu a terceira edição da campanha “Agosto dourado”. Na oportunidade, a chefe da Divisão de Enfermagem do HUJM, Loidjane Trajano, enfatizou a importância da campanha. “O aleitamento materno fornece alimentação completa para a criança, possibilitando seu pleno desenvolvimento. O BLH, além da captação, atua como agente de sensibilização para a sociedade em geral”, explicou.

Na visão da chefe da Unidade de Atenção à Saúde da Mulher, Débora Prado, a importância da campanha vai além da sensibilização. “Com a diminuição do leite materno ministrado às crianças, aumentaram riscos de desnutrição, obesidade e outras doenças. O momento também representa reconhecimento às mães doadoras”, prosseguiu. Já a coordenadora e responsável técnica do BLH, Marli Eliane Uecker, lembrou que o banco atua desde 2003 e trabalha, de maneira integrada, a amamentação e doação. “As mães que puderem doar o leite podem nos procurar, agendando um horário, e o banco providenciará transporte para captação do leite e visitas para orientação”.

Da Coordenadoria de Promoção e Humanização da Saúde da Superintendência de Atenção à Saúde da Ses-MT e nutricionista, Rodrigo Carvalho destaca reforça a importância do leite materno para a saúde dos bebês. “O leite materno contém todos os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento, até os seis meses, e, em proporções ideais, a sua capacidade digestiva auxilia na formação das células de defesa”, reforçou por meio da assessoria de imprensa do órgão estadual de saúde.

Também reduz o risco de alergias; melhora a resposta à vacinação; melhora o desenvolvimento da cavidade bucal; melhora o desempenho em testes de QI e diminui o risco de doenças crônicas. Para a mãe, o aleitamento ajuda a retornar ao peso pré-gestacional, reduz o risco de hemorragia após o parto e a chance de câncer de mama, além de promover o vínculo afetivo entre mãe e filho e a melhora da qualidade de vida para toda família”.

BANCO DE LEITE – Em Mato Grosso, existem dois postos de coleta e três bancos de leite humano, conforme informações da Ses. O Hospital Geral conta com o centro de referência Dr. José de Faria Vinagre e disponibiliza um posto de coleta dentro do Hospital e Maternidade Santa Helena, em Cuiabá. Além do HUJM, há ainda um posto de coleta dentro do Hospital Infantil e Maternidade Femina, também na capital. O terceiro banco de leite está localizado em Rondonópolis, no Hospital Santa Casa.

Uma análise da produção dos bancos no Estado, entre 2009 e 2018, revelou que o número de doadoras de leite humano aumentou em 186%; que o volume de coletas aumentou em 73%; e o número de receptores de leite humano aumentou em 54%. Uma análise apenas das unidades localizadas em Cuiabá revela o aumento de 25% no número de doadoras e de 20% no volume de leite doado. Em 2018, observou-se um aumento de 43% no número de doadoras de leite materno nos meses de maio e junho, quando comparados aos demais meses do ano.