Análise: bipolaridade entra em cena, Flamengo diminui de voltagem e sofre com o Flu

Fonte: GloboEsporte/Cahê Mota

Venceu, mas não convenceu. O Flamengo que fez por 3 a 2 sobre o Fluminense na calorenta tarde de domingo, no Maracanã, chamou a atenção pela bipolaridade. Foram 20 minutos a mil por hora e 70 sonolentos, a ponto de os reservas do Tricolor dominarem as ações no clássico.

O que de melhor aconteceu no Fla-Flu foi a capacidade de decisão mais uma vez da dupla Bruno Henrique e Gabigol. Os ex-santistas marcaram os gols da partida, sendo que o do camisa 9 veio de assistência do companheiro. Por outro lado, o sofrimento nos minutos finais era desnecessário.

É preciso pontuar que o Fluminense entrou em campo com o time praticamente todo reserva. Até por isso, o Flamengo mudou de postura em relação ao confronto da semifinal da Taça Guanabara e partiu para o abafa.

Uma falta cometido por Gabriel segundos após o apito inicial dava mostras de que o Rubro-Negro não queria deixar o rival respirar. Dito e feito. Agenor não demonstrou tanta intimidade com os pés como Rodolfo e se viu obrigado a apelar para chutões.

O time de Fernando Diniz conseguiu passar do meio de campo com possibilidade de construir algo quando o relógio já passava dos dez minutos e sequer assustou Diego Alves. Aos 13, Bruno Henrique abriu o placar após jogada de Pará, que já tinha deixado Gabigol também na boa.

Antes da parada técnica, o lateral ainda assustou em cabeçada. Depois, foi o Flamengo que parou. Em ritmo mais preguiçoso, viu o Fluminense se mandar para o ataque, trocar os passes em sequência como de costume e carimbar o travessão com Caio Henrique.

A equipe de Abel ainda assustou com Arão, também parado pelo travessão, mas deixou a impressão de que gastou toda intensidade de jogo nos 20 minutos iniciais. O tão conhecido estilo do Fluminense de Fernando Diniz passou a surtir efeito.

E o panorama não mudou muito na volta do intervalo. O Flamengo sufocante deu lugar a um Flamengo reativo, e o Tricolor passou a gostar do jogo. Melhor para os rubro-negros que graças a passes de Diego e Bruno Henrique, a superexposição do Fluminense foi castigada com gols do próprio Bruno Henrique e de Gabigol. Não é pouco, garantiu a vantagem e a vitória, mas foi só o que o Rubro-Negro fez de produtivo.

Fazendo valer dos espaços dados por um Renê irreconhecível na marcação, o Fluminense descontou com Dodi e João Pedro, e obrigou um rival que se fechava para apostar nos contra-ataques a se fechar para defender mesmo e não desperdiçar o resultado.

Venceu, mas não convenceu. E irritou. Abel Braga revelou em coletiva o tom de cobranças no vestiário mesmo com o triunfo e pediu seriedade e constância nas próximas partidas. Quarta-feira, o rival é o próprio Fluminense, dessa vez o titular, e o Flamengo não tem chance de errar: ou vence ou está fora da Taça Rio.