Análise: boa estratégia de Felipão faz Palmeiras abrir Libertadores com vitória “competitiva”

Fonte: GloboEsporte

Uma vitória por 2 a 0 contra o Junior Barranquilla, na Colômbia, na última quarta-feira, abriu a trajetória do Palmeiras na Libertadores de 2019. Entre questionamentos de parte da torcida sobre se o time pode ou não render mais na temporada, o Verdão mostrou que é possível esperar muita competitividade dos comandados de Felipão na competição sul-americana, mais uma vez.

Depois de um ótimo início de jogo, com marcação alta e boa movimentação das peças do sistema ofensivo, o Palmeiras abriu o placar com uma jogada construída pela esquerda. Dudu quebrou a marcação colombiana com uma ótima assistência para Gustavo Scarpa finalizar dentro da grande área sem chance para Viera.

Peça que vinha sendo criticada por parte da torcida palmeirense em 2019, Borja chamou a atenção pela intensa movimentação entre os marcadores do Junior, com bem observou o repórter Tossiro Neto, presente no estádio Roberto Melendez, em Barranquilla. Se ele desperdiçou boa chance na segunda etapa, foi decisivo no fim do jogo ao puxar contra-ataque e dar assistência para Marcos Rocha definir o placar.
Na segunda etapa, nem mesmo o início mais crítico para a produção palmeirense, com Ricardo Goulart sem função pelo estilo de jogo e com Dudu e Gustavo Scarpa com poucas chances para arrancar em contra-ataque, foi suficiente para colocar o Junior Barranquilla no jogo. E é aí que entra um pouco da cartilha de Felipão para a Libertadores.

Em entrevista coletiva, o treinador falou bem sobre a sua proposta de jogo e valorizou a estratégia alviverde para o primeiro jogo no torneio sul-americano. Com uma defesa organizada e pontuando como visitante, o Verdão largou mais uma vez de maneira positiva.

– Se tu não consegue ganhar o jogo, no mínimo tens um ponto quando joga fora. Bem organizado taticamente defensivamente, e explorar a qualidade dos teus jogadores porque tens bons jogadores no ataque, conseguir os gols para fazer a equipe adversária cometer erros. Essa é a ideia. Temos seis jogos, 12 pontos classifica. Quando a gente três pontos numa equipe que é adversária direta pela classificação, na casa do adversário, é muito importante – avaliou Scolari.

O desempenho defensivo do Palmeiras, aliás, é parte do futebol de resultados de Felipão. E que, vale destacar, não merece nenhum demérito ainda mais em uma competição tiro curto como é a Libertadores.

Aos 70 anos, Scolari completou na última quarta-feira o seu jogo número 65 na história da competição sul-americana. Só pelo Palmeiras, esta é a quarta vez do treinador no torneio sul-americano, com o pior resultado sendo a eliminação de 2018, na semifinal contra o Boca Juniors.

Sobre o famoso “jogo mais bonito” cobrado de um dos elencos mais valiosos do país, é possível sim ver um sistema ofensivo criativo e mais produtivo, com participação mais frequente de Ricardo Goulart, Dudu e Scarpa, além de Bruno Henrique como auxílio para Borja. Os dez minutos iniciais, talvez, possam servir de partida para um Palmeiras mais solto no ataque.

Mas também é possível entender que a Libertadores é um torneio diferente dos demais campeonatos. E Felipão sabe bem o caminho do sucesso.