Após vencer o câncer de mama, mulher se torna voluntária e conta sobre superação

Paula Cristina, 31 anos, é uma das mulheres que, após superar a doença, decidiu ajudar outras mulheres

Fonte: RDNEWS/Mirella Duarte

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no Brasil. São vários fatores que podem aumentar o seu risco, como endócrino, história reprodutiva, fatores comportamentais, ambientais ou por questões genéticas e hereditárias. É comum acreditar que ocorre apenas com mulheres mais velhas, como a partir dos 50 anos. E elas realmente são mais propensas, mas câncer de mama não tem idade. Ocorre também com homens, mesmo que em uma parcela menor. Por isso, a campanha Outubro Rosa deste ano escolheu como tema desmistificar esses enganos comuns, ao considerar o crescimento na incidência deste tipo de câncer, em pessoas mais jovens na última década. Em mulheres com menos de 35 anos, o Brasil assume entre 4% e 5% dos casos. Paula Cristina, 31 anos, foi uma dessas vítimas. Descobriu a doença há dois anos e buscou tratamento de quimioterapia, cirurgia de retirada da mama e inseriu uma prótese. Com a tatuagem do laço rosa feito há um mês no braço, ela se sente marcada pelo câncer, após concluir o tratamento. A pouco tempo virou também voluntária da causa do MT Mama e conta como foi esse momento de superação em sua vida.

Confira os melhores trechos da entrevista:

Quando descobriu o nódulo que te levou a procurar um médico?

Foi no banho, enquanto me ensaboava e quando peguei na minha mama eu senti um nódulo. No momento que eu senti, não sabia se já estava lá há muito tempo ou não. Já estava um caroço grande do lado superior esquerdo. Eu não fazia todo mês o auto-exame, mas nunca havia notado algo até aquele dia. Como eu descobri o nódulo em novembro de 2016, e em agosto do mesmo ano eu havia ido ao ginecologista, fiz os exames preventivos e o clínico examinou a minha mama, ainda não havia nódulo algum. Era um tumor agressivo e crescia muito rápido.

Após descobrir o caroço no seio, o que você fez?

Na outra semana eu fui ao médico e ele solicitou a mamografia e outros exames. Me perguntou se na família havia algum caso, eu disse que não. Em questão de quatro dias eu já estava retornando com os exames. Fui encaminhada a um especialista da mama e fiz mais exames. A mamografia eu achei um pouco dolorosa, porque já estava um pouco dolorida por conta do tumor, mas a ultrassom foi tranqüila. Fiz a biopsia e com o diagnostico vi que realmente era maligno, examinei todo o corpo, para ver se havia metástase ou se o tumor estava isolado. Todos os exames duraram cerca de um mês para serem feitos.

Houve algum momento em que você achou que não iria conseguir concluir o tratamento ou vencer a doença?

Na segunda sessão da quimioterapia achei que não iria dar certo. Não sei se por conta da medicação, mas ela mexe muito com o nosso emocional. Fiz quatro sessões da quimio vermelha, que é a cada 21 dias e dezesseis da branca, que foi uma vez por semana. Até aquele momento eu estava bem positiva e achando que iria dar conta, logo após essa sessão fiquei muito mal e com o sentimento de que meu corpo não agüentaria esse processo. A gente fica mais fraca e sente muitas dores no corpo, isso somado a náusea. Pensei, ainda estou na segunda sessão e faltam quatorze sessões. Bateu desespero. Todo este processo durou seis meses.

Após a quimioterapia, qual foi a continuação do tratamento? Como foi o processo cirurgico?

Com a cirurgia fiz a mastectomia radical bilateral porque eu estava com um tumor em cada mama. Não era metástase, eram tumores diferentes, mas como se eu tivesse tido tumores na mama duas vezes. O médico achou por bem eu tirar a mama totalmente devido a minha idade. Quando a gente é mais jovem, as chances dos tumores voltarem são maiores. A decisão era minha, mas ele indicou essa retirada, na mesma cirurgia inseri a prótese. Depois que fiz a cirurgia, foi complicada a recuperação e o processo de cicatrização foi demorado, achei que seria bem mais simples pelo que as pessoas me falavam. Eu fiz meu tratamento pelo plano de saúde, mas pelo SUS esse tratamento costuma ser mais complicado, ficam esperando aí três ou quatro meses para fazer a cirurgia e isso é um risco, porque a quimioterapia reduz o tumor e não acaba com ele por completo, o tratamento principal é a cirurgia. As vezes, essas pacientes, muitas que eu acompanho pelo MT Mama, ficam três ou quatro meses paradas sem nenhum tipo de medicação para poder fazer a cirurgia e isso de certa forma causa medo e mexe muito com o emocional e psicológico das mulheres.

“O auto-exame precisa ser freqüente, uma vez por mês” Paula Cristina
O que mais te afetou e o que te deu forças e resistir?

Acho que o que mais afeta o emocional e psicológico, por conta da queda do cabelo. Se a gente faz a químio com quinze dias o cabelo já começa a cair. A mulher é vaidosa, a gente perde o cabelo, os cílios, a sobrancelha. Ficamos inchadas por causa da medicação e então você fica bem abalada. Nesses momentos tudo é muito difícil, todo apoio de quem ama é essencial. Meus familiares, meu esposo e amigos foram importantes ao meu lado, mas quem não tiver ninguém, o MT Mama pode oferecer esse apoio. O auto-exame precisa ser freqüente, uma vez por mês, assim como a mamografia ou a ultrassom da mama. Se você está passando por esse tratamento, não se isole.