Empresa adesiva frota para ajudar mãe a achar filho desaparecido

Uma moradora do Pará que não vê o filho há quatro anos renovou a esperança de encontrá-lo após contar com a ajuda de uma transportadora mato-grossense, que adesivou parte da frota com uma imagem atualizada da criança.

Silvana Aparecida da Silva, de 33 anos, contou que o filho, Flávio Henrique da Silva, desapareceu em Peixoto de Azevedo (a 692 km de Cuiabá) em 2015, quando tinha apenas dois anos de idade. Na ocasião, a família viajava pelo interior do Estado e, antes de retornar ao Pará, decidiu passar uns dias no sítio da mãe dela.

Nos últimos dias, Silvana renovou a esperança em reencontrar o filho quando foi procurada pela empresa de transportes Águia Sul. Ela contou que empresários assistiram uma reportagem sobre o desaparecimento do menino na televisão e se comoveram com o caso.

Cheia de esperança, Silvana falou sobre a possibilidade de que alguém veja a foto do filho em um dos caminhões da empresa, que rodam pelas estradas de Mato Grosso e do país. Para ela, a boa ação dos empresários aumenta a possibilidade de que uma pista sobre Flávio seja encontrada.
“Adesivaram alguns caminhões com a foto do Flavinho e também colocaram um retrato que mostra como a aparência dele pode estar hoje. Ele era muito pequeno, deve ter mudado muito”, contou.

Só conheço meu filho com dois anos de idade. Na minha memória, o rosto dele ainda é o mesmo de quando ele desapareceu

O retrato de progressão de idade foi feito pela Delegacia de Homicídio e Proteção a Pessoa (DHPP) de São Paulo. A imagem, que faz uma simulação de como o menino estaria aos seis anos, causa estranheza em Silvana.

Nas lembranças dela, o rosto de Flavinho, como chama carinhosamente o filho, não mudou e ainda é o mesmo de quando ele tinha dois anos.

“Só conheço meu filho com dois anos de idade. Na minha memória, o rosto dele ainda é o mesmo de quando ele desapareceu”, disse.

Dia do desaparecimento

Ao MidiaNews, Silvana disse que, ao planejar a viagem em família, nunca imaginou que voltaria para casa sem um de seus três filhos.

Ela disse que a família chegou ao município de Peixoto de Azevedo no dia 16 de janeiro de 2015. Com o fim das férias, decidiram passar três dias no sítio da mãe de Silvava. Dois dias depois da chegada, no final da tarde de domingo, o menino estava brincando no terreno quando desapareceu sem deixar pistas.

“Achamos que ele estava brincando com dois sobrinhos no sítio, a família estava reunida. Em um despercebimento, ele simplesmente sumiu. Foi tudo muito rápido, quando fomos procurar, não achamos mais nada”, lembrou.

A suspeita de Silvana é de que um dos convidados de uma festa no sítio vizinho tenha levado o menino. De acordo com ela, naquele dia, pessoas de outros estados e municípios passaram pela estrada de terra que levava ao sítio.

“No sítio da minha mãe não tinha ninguém de fora, só no sítio vizinho. Tinha gente de Tangará da Serra, do Paraná e outros lugares”, disse.

Ela contou que, como se tratava de uma estrada vicinal, alguns carros foram vistos passando pelo local no final da tarde, por volta das 17h30, mesmo período em que o desaparecimento de Flavinho foi notado.

A ausência do corpo e de sinais de que o menino tenha sido atacado por algum animal fortalecem a tese de Silvana. A mãe diz que ainda aguarda ansiosamente pelo reencontro com o filho.

Mais de cem pessoas de um município vizinho chegaram a ir até o local para auxiliar a família nas buscas, que durou cerca de 15 dias. Poços, rios e a mata, próximos ao sítio onde Flavinho brincava, foram vasculhados pelo grupo.

“Temos que pensar em todas as hipóteses, já que não sabemos o que aconteceu. Minha esperança é de que ele esteja vivo e alguém tenha levado”, explicou.

Para Silvana, a polícia do município foi omissa com relação ao desaparecimento de Flávio. Ela contou que uma equipe de policiais foi até o sítio apenas dois dias depois do acontecimento, quando, de acordo com ela, todas as possíveis pistas do menino já não existiriam mais.

Além disso, a mulher também apontou que a polícia só procurou ouvir as pessoas que estavam no sítio vizinho após insistência da família.

“Ligamos para eles no mesmo dia, mas eles ouviram algumas pessoas depois de muito tempo, tivemos que brigar muito para eles fossem atrás deles. Quando eles apareceram já era tarde, já não tinha nenhuma pista. Quem sabe algo pudesse ter sido encontrado se não tivessem sido omissos”, criticou.

Volta para casa

A família pretendia voltar para o Pará na madrugada do dia 17 de janeiro de 2015, horas antes de Flavio desaparecer. Silvana contou que, por conta das buscas e a “falta de coragem” de ir embora sem o filho caçula, eles permaneceram em Peixoto de Azevedo por 30 dias.

“Mudou muito mais que a trajetória da viagem, mudou o rumo de nossas vidas. Não tinha coragem de voltar para casa sem meu filho, isso foi uma barreira. Tivemos que esperar um pouco para conseguir enfrentar essa situação de voltar para nossa casa no Pará”, lembrou.

Silvana se lembrou de que, naquele dia, não existiu “noite”. Após ajudar nas buscas até anoitecer, a mulher passou a madrugada sentada em um sofá, em estado de choque.

Mãe de outro menino de 15 anos e de uma menina de 12 anos, que também aguardam pelo retorno do irmão mais novo, Silvana contou que nenhuma das crianças viu o que aconteceu com Flavinho.

“Não sei nem explicar qual é a sensação. Meu mundo desabou. Ele é meu filho caçula, era um bebê. A esperança de reencontrar o Flavinho me mantém de pé. Não tem um dia sequer que não lembramos ou falamos dele”, desabafou.

Fonte: Midia News