Motorista baleado em assalto receberá R$ 65 mil em indenizações de multinacional

Uma indústria multinacional de cigarros foi condenada a pagar R$ 65 mil de indenização por danos morais e estéticos a um trabalhador que foi baleado na perna durante um assalto ocorrido em julho de 2013, em Cuiabá. Ele foi contratado em julho de 2006 e transportava valores rotineiramente, tendo como uma de suas funções depositar o dinheiro das vendas em uma agência bancária.

Em julho de 2013, ele foi assaltado e baleado, o que resultou em perda considerável dos movimentos da perna direita. O trabalhador passou por diversas cirurgias e ficou vários dias sem se movimentar. Conforme laudo da psicóloga que lhe atendia, ele ficou depressivo em decorrência do acidente, além de apresentar um estado de angustia semelhante à síndrome do pânico.

A empresa também deverá reembolsar ainda as despesas médicas do ex-empregado e a pagar, em parcela única, uma pensão devido à redução da capacidade dele para trabalhar. A decisão é da 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT).

Em outubro de 2009, enquanto realizada seu serviço de rotina, o empregado teve um aparelho de DVD portátil furtado de dentro do carro. Em outubro de 2010 a cena se repetiu e ele perdeu documentos e vários cheques. Pouco mais de dois anos depois, em dezembro de 2012, ladrões quebraram o livro lateral do carro no qual trabalhavam e, como não encontraram nada, levaram a roda dianteira.

Apesar de todos os incidentes, nenhuma providência foi tomada pela empresa para proteger a vida do trabalhador. Conforme o relator do processo no Tribunal, o desembargador Edson Bueno, ficou comprovado que o trabalhador transportava valores sem escolta e sem nenhum treinamento, de modo que o procedimento era realizado de forma irregular.

A empresa chegou a argumentar que o dinheiro era depositado em um cofre dentro do veículo. No entanto, ao julgar a questão, a 1ª Turma entendeu que a existência de um cofre não inibe e nem afasta o risco causado pelo transporte de valores, já que este, por si só, não consegue evitar um assalto. (Com Assessoria)

 

Fonte:RD News