Obsessão por celular, tablet e games pode gerar intoxicação eletrônica, diz psicóloga

O excesso de contato com aparelhos de telefone celular, tablets e vídeogames pode causar intoxicação eletrônica, especialmente nas crianças, que ainda estão em fase de formação. Recentemente, segundo o Blog do Ipog, a Organização Mundial de Saúde até reconheceu o vício em videogames como um transtorno de saúde mental, risco que atinge cerca de 3% dos gamers.
Crianças, cada vez mais cedo, entram no fluxo virtual de dispositivos acelerados. A maioria delas, nativos digitais, nasceu em uma era totalmente tecnológica onde a vida adulta das pessoas próximas também costuma ser a favor da rapidez, que nem sempre acompanha a qualidade de vida.

Segundo a psicóloga clínica Naiara Pereira, que costuma abordar em eventos e consultas temas como ansiedade, intoxicação eletrônica, tempo da criança e seu espaço, é preciso de equilíbrio para se manter mentalmente saudável. “É um movimento que vem do comportamento dos pais. Às vezes muito cansados, deixam para a tecnologia o entretenimento e o papel de educador para as crianças”, avalia.

“É um movimento que vem do comportamento dos pais. Às vezes muito cansados, deixam para a tecnologia o entretenimento e o papel de educador para as crianças” Naiara Pereira
A psicóloga ainda pontua que é comum a cena de crianças, que nem sabem engatinhar, pedirem por celulares ou tabletes para brincar. As fábricas lançam dispositivos modernos no lugar de brinquedos que não precisam de carregadores. “Elas aprendem rápido, exatamente onde apertar com os dedinhos. Diante de todas essas novidades que o mercado impõe com a finalidade de facilitar a vida das pessoas, temos a infância e o cotidiano”, completa.

Naira ainda ressalta que não se trata de um movimento de nadar contra a corrente, que a tecnologia é positiva e facilita muito em vários processos, mas que é preciso saber usá-la. “É sobre a tecnologia ao nosso favor, não nós nos tornando escravos dela”, afirma.

Pontos negativos da tecnologia excessiva

A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de adaptar-se e se estruturar conforme as necessidades. A rotina mediada pela tecnologia, praticidade e rapidez, faz com que o cérebro não armazene coisas importantes por um longo período. “Isso porque logo iremos precisar de espaço para novas informações e comportamentos. Seria bacana se pudermos, ao fim do dia, nos desconectar um pouco”, indica.
Os estímulos a que Naiara se refere, fazem com que o cérebro sofra uma sobrecarga com a aceleração. A necessidade de rapidez nas respostas impede uma imersão mais profunda, habituando o cérebro a trabalhar de maneira mais rasa. “Com isso, podemos ter pessoas com dificuldade de pensamento crítico, com áreas prejudicadas como a de memória de curto e longo prazo”, salienta.

Como conciliar

Para Naiara, conter o impulso da rede social é preciso quando ela não é necessária. É preciso entender que são ferramentas de auxílio no dia a dia e não uma parte de quem somos. “Usá-la como aliada e tão somente pra isso”, diz.

A especialista explica que, para isso, é preciso saber que se tem horário para responder amigos, trabalho e família no whatsapp ou publicar uma foto bacana do fim de semana. É necessário o diálogo, a interação e a troca de experiências entre as pessoas. “Para as crianças, que seja somente para fins recreativos, com horário estipulado e com supervisão adulta”, reforça.

Hobbies e esportes

Ela ainda alerta que uma boa válvula para escapar do mundo virtual, que de tão acelerado pode resultar em ansiedade e outros transtornos, é a prática de esportes. “Com ele, temos a liberação de endorfina que nos dá a sensação de bem-estar e alegria. Pode ser também meditação ou algum tipo de hobby e, o mais importante, o contato com quem amamos, sejam familiares ou amigos. Desta forma, conseguiremos uma melhor qualidade de vida”, defende.

________________________________________________
Serviço:
Naiara Pereira
Telefones: (65) 99271-1630 ou (65) 2129-5457
Instagram: @naiarapereira___

Fonte: Mirella Duarte/RD News