Sem acordo, Trump insiste em construir muro

Fonte: G1

Em reunião com líderes democratas na Casa Branca nesta quarta-feira (2), Donald Trump permaneceu inflexível em relação à exigência de construir um muro na fronteira com o México, de acordo com a agência AFP. O governo continua parcialmente paralisado enquanto o presidente não consegue obter a verba para construir o muro.

Na véspera da inauguração do novo Congresso, que começa suas sessões nesta quinta-feira (3), as negociações sobre a lei de orçamento ficaram estagnadas e nenhum dos grupos cedeu.
Trump afirmou que vai manter a situação atual “pelo tempo que precisar” e insistiu que o orçamento deve incluir uma verba para a construção de um muro na fronteira com o México.

Os democratas, que a partir desta quinta-feira, retomarão o controle da Câmara dos Deputados, consideram que esse muro não é a resposta mais apta a uma questão complexa como a imigração. Eles também consideram que a cerca de metal já existente é suficiente.

Mais cedo, o presidente já havia previsto que a paralisação “pode durar muito tempo”, garantindo que a destinação de 5,6 bilhões de dólares para a construção do muro é “uma quantia pequena, tratando-se de um assunto de segurança nacional”.

Outra alternativa

Para sair da paralisação orçamentária, os democratas apresentaram uma alternativa que a equipe Trump rejeitou de antemão.

O plano da oposição seria renovar até 30 de setembro os orçamentos das agências que não estão sujeitas a qualquer controvérsia e prolongar apenas até 8 de fevereiro o orçamento do Departamento de Segurança Interna, que é responsável pelas fronteiras.

Os republicanos controlam o Senado, mas qualquer lei orçamentária precisa de 60 votos, então também deve contar com o apoio de alguns democratas.

O vice-presidente, Mike Pence, chegou a propor que os democratas aprovassem metade do valor do orçamento (2,5 bilhões de dólares), mas Trump disse que não aceita nem o meio termo. Se não conseguir o valor total, não assina nada.

Jogos políticos

O presidente norte-americano se mostrou convencido de que a opinião pública está a seu lado.

“O México vai pagar o muro graças ao novo acordo comercial T-MEC”, disse Trump em um tuíte nesta quarta, reiterando uma de suas promessas de campanha de que o país vizinho deveria financiar a construção o muro.

“Já temos muito trabalho. Os 5,6 bilhões de dólares que a Câmara aprovou é pouco em comparação com os benefícios para a segurança nacional”, disse, defendendo um projeto aprovado pela Câmara de Representantes que deve ser analisado pelo Senado nesta quarta.

Nesta quarta-feira, o representante republicano na Câmara, Steve Scalise, pediu aos democratas que “parem de brincar com a segurança dos Estados Unidos”.

“O tempo dos jogos políticos acabou”, disse Scalise em um debate na Fox News. “Há vidas que estão em jogo”, acrescentou.

O senador republicano Mitch McConnell, líder da bancada, disse que só agendará a votação de projetos que tenham a aprovação da Câmara e de Trump.

Um artigo escrito no jornal Washington Post pelo ex-candidato à presidência, Mitt Romney, que agora assumirá como senador, acrescentou ainda mais incerteza ao clima de Washington.

“As palavras de Trump causaram consternação em todo o mundo”, escreveu Romney, que representará o estado de Utah no Senado.

“Não pretendo comentar cada tuíte e cada tropeção”, disse o político republicano. “Mas vou falar contra declarações ou ações significativas que causam divisões, sejam elas racistas, sexistas, anti-imigrantes, desonestas ou destrutivas para instituições democráticas”, acrescentou.

Quando perguntado sobre essas declarações, Trump lamentou que o político republicano não tivesse um comportamento mais alinhado em equipe.