Técnico do Corinthians tira peso do título da Copinha e fala em formar jogadores protagonistas

Decacampeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o Corinthians sempre entra na competição pressionado para defender as tradições do clube.

Há seis meses à frente da equipe, o técnico Eduardo Barroca, de 36 anos, promete um time forte na competição, mas prefere tirar o peso das costas dos jovens atletas, que estreiam no torneio nesta quarta-feira, contra o Capital-TO, às 21h30 (de Brasília), em Itu. O SporTV transmite o duelo ao vivo.

– O torcedor vai encontrar uma equipe corajosa, que independente do adversário vai jogar para ganhar, para pressionar, para se impor. Vai encontrar uma equipe com bom nível técnico e com uma entrega muito grande. Encontrei jogadores comprometidos, que estão muito interessados em atingir bons resultados, que sabem que como consequência vão ter mais espaço no clube – disse Barroca.

Na avaliação de Barroca, que já disputou a Copinha como treinador do Madureira e do Botafogo, a competição tem um charme e importância grande, mas não se trata do maior teste da temporada.

– A diretoria me deixou bem claro que a Copa São Paulo para o clube é muito especial. Eu, como profissional do futebol há muitos anos na base, tenho que tirar um pouco o peso disso. Hoje, tecnicamente, existem competições nacionais com nível mais forte que a Copa SP: Brasileiro, Copa do Brasil, Supercopa, Libertadores Sub-20, hoje você joga competições muito fortes.

– A Copa São Paulo tem tradição especial, internamente para o clube faz muito sentido e a gente precisa se preparar bem para isso, mas tecnicamente não é a principal. Mas estamos desde a minha chegada trabalhando para chegar neste momento na nossa plenitude técnica, física, tática e mental para os jogadores conseguirem render o máximo que puderem. É a competição com mais visibilidade, mas peço que as pessoas avaliem com critério e coerência, pois não é essa competição que determina se o jogador vai transitar ao futebol profissional ou não – explica o profissional.

Veja a entrevista com o técnico:
GloboEsporte.com: Que tipo de jogador você tem buscado formar?

Barroca: Quando penso em Corinthians, penso sempre em formar jogador protagonista. O jogador para jogar aqui precisa ter personalidade, intensidade e precisa ser protagonista. Entendo que essa forma de jogar expõe muito mais o jogador, ele o tempo todo está mais com a bola, ele precisa propor, ele precisa ter ação, precisa romper equipes que jogam fechadas. Acho que o acúmulo de jogos vai endurecendo a casca do jogador e ele vai tendo que ser protagonista em diversas situações. Vou dar um exemplo. Na Copa RS, jogamos contra o Internacional e só o Caetano (zagueiro) tocou na bola 145 vezes. E o Internacional todo, durante o jogo inteiro, tocou 187 vezes. Isso é um indicativo que estou formando um jogador com capacidade de decisão e repertório. Ele precisa ter jogo longo, jogo curto, jogo para esquerda, jogo para a direita, jogo entre zagueiros, jogo para o volante, jogo direto para o centroavante. Estou formando um jogador com repertório muito mais vasto. Quando ele chegar no profissional, será muito mais fácil moldá-lo.

Qual o estilo de jogo que você tem implementado no Corinthians?

– Minha forma de jogar é tentar ter o controle do jogo do primeiro ao último minuto. Quando não tiver a bola, trabalhar individual e coletivamente para ter a bola o mais rápido possível. Na Copa RS, trocamos muito mais passes que o São Paulo no último jogo (empate por 1 a 1 e derrota nos pênaltis), e dos 20 aos 30 do primeiro tempo o São Paulo só trocou cinco passes. Em dez minutos, trocaram cinco passes e nós 44. Quase dez vezes mais, o que retrata bem o que queremos que esses jogadores façam nesse processo final da formação deles.

O estilo de jogo do time profissional em 2018 foi mais reativo. Isso não te influenciou?

– Isso tudo tem que ser conversado na porta de entrada. Quando conversaram comigo, um dos objetivos era que o Corinthians trocasse mais passes e tivesse um jogo protagonista. Estou trabalhando pautado nisso. Nestes seis meses, peguei Osmar Loss e Jair Ventura, profissionais com quem tenho intimidade e relação próxima, mas que praticam um futebol diferente. Especificamente neste primeiro momento, não me pautei ao que estava sendo feito no profissional. Me pautei no que seria o melhor para o sub-20 para que o atleta chegue ao profissional com repertório maior.
Qual a avaliação dos seus primeiros meses de clube?

– Completei seis meses de trabalho. Num primeiro momento você precisa de um tempo para se adaptar, para conhecer o novo clube. Fiquei impressionado primeiro com a conversa, depois num primeiro momento com a prática, as condições de trabalho muito boas, aquilo que o clube projeta para médio e longo prazo, estou muito satisfeito com o trabalho neste primeiro momento. Estamos prontos para dar um salto de qualidade para outras coisas que a gente planeja. Os jogos decisivos foram importantes muito mais para ver os jogadores vivenciarem jogos importantes do que em relação aos resultado em si. Fizemos um Campeonato Brasileiro em que até o último jogo a gente estava invicto, fomos a uma final de Paulista, ganhamos o primeiro e perdemos o segundo (para o Palmeiras), fizemos uma Copa RS que é um competição muito forte e também saímos invictos, nos pênaltis (para o São Paulo, nas quartas), então o saldo de resultado é positivo. Ainda não perdemos nenhum jogo dentro de casa. Estamos prontos para esse salto de qualidade.

Neste ano, o sub-20 buscou uma série de reforços. Como você participou disso?

– Desde que conversei com a direção, a gente deixou claro que ia fazer tudo a quatro mãos. Botar na mesa e discutir critério, coerência, lógica, partindo sempre do princípio de priorizar quem está dentro, para não negligenciar quem já está no clube. Toda vez que trazemos alguém de fora, a lógica é que esgotamos todas as possibilidades de dentro e a gente entende que não conseguiria suprir isso a curto e médio prazo.

Em 2018, Fessin e Bilu transitaram entre o sub-20 e o profissional. Agora, voltam para a Copinha. Como vocês administram esse processo de transição?

– Bilu e Fessin desceram na plenitude, são jogadores nascidos em 1999, podem jogar no sub-20 até dezembro de 2019. No time principal eles têm oportunidades, são desafiados diariamente em treinos e jogos, Bilu entrou num jogo de Série A. Voltam mais maduros, mas são jogadores nascidos em 99. Em um ano, um time sub-20 joga 70 vezes. A gente não pode abrir mão de uns 45 ou 50 jogos de alto nível para eles, clássicos, jogos contra o Vitoria no Barradão, contra o Athletico na Arena da Baixada, contra Flamengo no Rio, jogos muito importantes para esse processo final da formação deles. Se o jogador sobe e entende que a base não desafia mais ele, ele está perdendo oportunidades num processo extremamente importante, o processo final da formação.

Carille disse que estará nos jogos da Copinha. Já falou com ele sobre tudo isso?

– Não tive a oportunidade de ter uma conversa pessoal com ele, mas somos amigos, companheiros de turma nos cursos da CBF, nos conhecemos há muito tempo, sempre trocamos ideia. Logo vamos ter oportunidade de sentar, discutir planejamento, como foi com Osmar e Jair.